texto de Hugo Guerreiro , director do Museu Municipal de Estremoz

As aguarelas de Lourenço Câmara Lomelino são uma lufada de ar fresco. Saem os seus trabalhos do registo habitual aguarelista, situação que imediatamente me despertou a atenção.
Entende-se logo no primeiro contacto com os trabalhos, que a mundividência de Lomelino é claramente diferente dos aguarelistas de hoje. Basta ver a panóplia de personalidades retratadas, para entendermos o rico “mundo” do autor, que é culturalmente vasto e diverso. Todas as personalidades retratadas nestas aguarelas, nos aparecem encadeadas, num sentido e jogo muito intimo. Esta intimidade prende-nos a uma tentativa, muitas das vezes frustrada, de descodificação da pintura desafiante. Homens e mulheres da cultura, política e ciência confrontam-se no espaço pictórico, num jogo das ideias, sob cores intensas, mas usadas com parcimónia e bom gosto.
A Mulher, algumas vezes pintada em todo o seu esplendor, é outro tema inevitável em qualquer artista e Lourenço Lomelino não foge à regra. Quanto às zoomorfias, verifica-se que são raras nesta mostra, pois o homem, não o anónimo, assume o papel principal.
Para finalizar, quero agradecer à Fátima Mateus a apresentação deste aguarelista. Agradeço também ao Lourenço Lomelino a imediata adesão à ideia de expor, naquela que é a sua terra natal.
Quero ainda, como admirador da obra e ideário de José Lourenço Marques Crespo, uma personalidade ímpar na história local e um dos grande alentejanos dos século XX, destacar que pretendo através desta exposição de trabalhos do seu neto, prestar-lhe um tributo da melhor forma que sei – através da Arte.
Hugo Guerreiro
Director do Museu Municipal
Março 17, 2009 às 1:26 am
Lourenço
Que feliz e orgulhoso te deves sentir, assim com a tua Familia, com este texto!
Maravilhoso!
Beijnhos
Quica